sábado, 20 de janeiro de 2018

  aesthetic 


  Olho dentro de mim, fui desafiada a extrair o melhor e pior, para transformar em palavras, aquelas que deixo descansar na minha garganta, aquelas que descem depois, ao peito e ficam presas lá, em uma jaula especial e não fazem nada além de doer e sufocar. Neste desafio, devo aprender a amar meu eu, aprender a preencher os espaços vazios com poesia. Aprender a transformar a tristeza e insegurança em força e autoconfiança.
   Nessa jornada de amor próprio e limpeza de espírito, o ideal é viajar. E viajei, não para dentro, deixei meu corpo conhecer imensidões inimagináveis. Imensidões que já moravam pertinho e já haviam, certas vezes, me convidado a visita-las. O que aprendi? Que quando o corpo está vazio e solitário e acha que deve mudar emprego, ganhar mais, trocar faculdade...o que precisa mesmo é respirar um ar puro, aquele perto do mar, das rochas, aquele nas beiradas de morros. O corpo precisa sentar na grama, na areia, molhar os pés na água salgada do mar ou da lagoa. O corpo precisa se apegar a natureza, sim, essa que está em tudo, sempre ali, a observar, esperar. Nós, seres humanos, eternos aprendizes, esquecemos que a solução não está no que queremos, mas sim, no que precisamos. Devemos deixar nossos instintos mais primitivos nos guiar de volta a natureza, aos poucos, introduzindo-a de volta ao dia-a-dia.
   Comecemos deixando o sol entrar nas janelas, iluminar cada canto da casa, aquecer cada poro do  corpo, sentir-se vivo, para variar.

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