segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Dear Luna

Imagem de book, flowers, and vintage



   Querida Luna, há algumas coisas importantes que preciso lhe falar antes que venha ao mundo, pode estar se perguntando o porque, lhe digo agora: porque talvez quando venha ao mundo eu já não esteja mais aqui, essas coisas acontecem, ainda mais em partos (claro que farei de tudo para que não aconteça), também porque se eu viver, um dia te darei esta carta, me expresso melhor com palavras escritas num computador do que pessoalmente, elas parecem tão vazias quando saem de minha boca, assim são mais verdadeiras, são de coração. Outra observação antes de começar a descrever os pontos importantes, esta carta pode ter mais de uma página, então querida, espero que seja como eu e goste de ler, ainda mais esses autores clichês que falam de amor e morte o tempo inteiro, pois sou um deles.
   Então, estou te escrevendo para lhe alertar sobre o mundo, muitas pessoas vão dar suas opiniões sobre isso, quero que saiba filtrar muito bem estas opiniões, inclusive as minhas. 
Sendo tu Luna, nascida mulher, vai sofrer muito apenas por ser,  a sociedade melhorou, mas continua sendo muito injusta e isso é injusto, eu sei meu bem. Há pessoas que ainda não sabem expressar sua dor, então elas continuam machucando as que encontram em seu caminho, minha querida, seja sempre minha amiga, e se alguém te machucar, nós vamos estar lá pra ti, se não eu, teu pai. Quero te dizer que as pessoas continuam não aceitando o que somos, como somos, por mais que nos esforcemos pra ser o melhor, então dear Luna, seja quem tu quiser, sempre, vou te amar do mesmo jeito, já te amo enquanto tu es apenas uma ideia, um desejo extremamente forte da minha parte e da do teu pai, desejo de existência. Seja o que quiser, como e quando quiser, não quero que ninguém mude tua essência. 
   Para muitas perguntas, não terei a resposta, mas minha estrelinha, na maior parte das vezes as respostas estão nas perguntas que fazemos, talvez não entenda isso agora, mas vai compreender logo logo. Quero te fazer um pedido de extrema importância, dear Luna, sempre tente enxergar o mundo com olhos de criança, com esperança, o lado bom da vida, procurando não julgar ninguém. Fazendo jus ao nome que recebeu, sendo um pedacinho de uma personagem de livro, que é tão amada e simplesmente é ela mesma, ignorando os caprichos de outros que querem que ela seja outra coisa. Ser, existir é muito complicado, complexo e as vezes abstrato, mas é tão recompensador, quando se encontra amor nessa vida de meu Deus, e minha querida...tu é tão amada, espero que muitos além de nós possam te conhecer e te amar e que tu possa amar muito.

Love, mommy.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Confissões de uma morta viva, o retorno


Imagem de travel, castle, and edinburgh


     Queridos leitores, continuo sendo uma moribunda, mas pela primeira vez pareço ter me acostumado com o fato. Estava devaneando, é o que moribundos fazem de melhor, ainda mais se estes já viveram muitos anos de grandes memórias inesquecíveis. Pois então, estava em meus devaneios, me recordo de ter meus vinte e poucos, os anos de ouro...gloriosos. Me recordo que nesta época brigava muito com minha querida mãe, que agora os anjos já levaram quando esta tinha a idade que possuo agora. Ela estava sempre errada e eu para ela também, não era uma época fácil, mundialmente falando e também em nossa família.
    Teimosa como sempre fui, tinha uma sede de liberdade, claro que depois de todos esses anos sei que liberdade é uma linda construção ideológica criada para termos esperança e continuar a nadar, porém na época era tudo com o que mais sonhava, meu propósito de vida, nada faria sentido se não conquistasse-a. Contudo minha mãe não estava preparada para dar ao mundo sua única filha, por isso discussões intermináveis instalavam-se em nossa casa, que para mim já não era mais um lar. Parecia que tudo que eu enxergava, enxergava através de grades de um castelo gigante sem saída, era como me sentia na época, mas em minha família  poucos entendiam e os que entendiam já haviam a muito sido taxados como loucos. Era eu quase uma morta viva, era como me sentia, mas a garra de sair do castelo e quebrar as grades a todo custo, me diferenciavam de ser uma morta-viva, pelo contrário, aquele era um momento em que estava muito bem viva, obrigada.
    Com meus vinte e poucos, vivia para tentar sair de onde estava, presa em meus problemas e minha vontade de conquistar o mundo, pessoas mais velhas que eu, que agora já não estão mais por aqui, desacreditavam, diziam que o mundo lá fora não era fácil, mas dentro do castelo era muito mais difícil, era o que não entendiam. E então meus primeiros indícios de aceitação à morte foram com essa idade, o fato de querer conquistar a liberdade me deixava frente a verdade de que a morte viria e passei a vê-la também como uma forma de liberdade. Por passar a destemer a morte, pessoas próximas a mim me prendiam com mais afinco e força ao castelo, pensando que assim estaria protegida, erro das pessoas não tentarem entender, estavam me empurrando nos braços da morte, a esperança e garra de viver para sair de lá quase não existiam mais.
    De um momento ao outro, dois extremos, de uma mulher cheia de forças pra tomar uma realidade cheia de vida, que lhe pertencia à alguém totalmente excluída de forças e foi então que vi pela segunda vez, naquele tempo, os olhos da morte me convidando para um passeio...aceitei, conversamos, mas notei que por mais admiração que sentisse por ela, meu estilo de vida não combinava com o dela, nosso encontro para um próximo passeio deveria ser remarcado e ela entendeu. Por tão pouco caros leitores, por tão pouco não fui, nunca teria experimentado tanta vida se tivesse ido naquele tempo de meu Deus, fiquei e fui feliz, vivi e vi muito, fui muitas coisas, ate chegar agora na velhice, louca para que minha velha amiga me encontre novamente, desta vez para um longo passeio.
   

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

The girl with a yellow backpack

Imagem de yellow

Era uma vez, uma garota uma garota com uma mochila amarela.Carregava sua mochila com muita alegria e orgulho, ganhara de presente de alguém muito importante.
A garota fazia da mochila um incentivo, um incentivo para alcançar o mundo, alcançar o mundo e tudo de belo que nele existe. A garota gostava da simplicidade, da beleza nos pequenos gestos.
Na mochila amarela carregava o peso do mundo, saía por ai afora distribuindo sorrisos,
abraços e conselhos.
Mas em meio a tantos sorrisos e felicidades, a garota escondia uma singela tristeza...
Uma compaixão pela dor de todos, pela dor daqueles que amava. A garota tinha uma disposição
para resolver problemas, pegava todos que não eram seus, tirava a dor dos outros, com seus abraços
e coloca tudo dentro da mochila amarela. Os sorrisos diminuíam o peso, mas a garota já estava cansada, não reclamava, continuava a fazer o que pensava ser importante, mas machucava, a mochila amarela já não parecia mais um incentivo, mas sim uma lembrança do sofrimento de todos aqueles que gostava.
Um dia em seu caminho, a garota conheceu alguém, e com ele a garota sentiu-se confortável para dividir o peso da mochila, recebeu vários sorrisos, abraços, dividia com ele não só os problemas, mas também toda a felicidade que jamais ousou sentir.

Para a Jujuba 


The day that God sang

Imagem de travel, place, and blue

Vou contar uma pequena história, não é a história do fim do mundo, mas sim, como a raça humana se extinguiu, o dia no qual recebi mais almas do que podia contar. Voces me rotulam como uma criatura má, sem esperanças e expectativas, que se alimenta apenas da desgraça, sou tão humilde como a criatura mais antiga que já presenciou de tudo, poderia ser. Meu trabalho consiste apenas em acompanhar, guiar para algo além do que todos conhecem, por isso penso ser meu dever contar esta história.
Não começarei do princípio, de como a raça humana surgiu, este capitulo já foi lido, relido e muito comentado, por quem quer que esteja lendo. Começarei pelo fim.
Por todas as minhas coletas de almas e caminhadas despretensiosas, que consistiam apenas em observar essa criatura peculiar e espetacular, varias vezes me encantei por algumas almas que tive de levar, mas não deixou nada mais difícil, apenas o pensamento de que uma ou outra poderia mudar alguns percursos da humanidade. Sempre me vi incrédula com a capacidade de amor, compaixão, fé que as pessoas têm, porém o que levou ao fim de tudo foi o ódio, mágoa, abandono e incompreensão.
O planeta estava em seus extremos, os maiores já presenciados, haviam muitos representantes do povo, que não sabiam a necessidade de seu povo, mas queriam apenas benefícios próprios, representantes que não aceitavam as diversidades raciais, sexuais ou de crença. Guerras ainda eram travadas, guerras por território, por religiões diferentes, nestas guerras lutavam soldados que pensavam lutar por seu povo, mas ali eles apenas representavam medo. Nessas guerras morriam muitos inocentes que realmente poderiam fazer alguma diferença, nessas guerras, podiam dizer que apenas eu ganhava, mas não era reconfortante para mim. 
Também neste mesmo planeta que sob este angulo anterior, tudo parecia medieval, haviam pessoas que lutavam pelos seus direitos e pelo dos outros, pessoas que escancaravam a verdade, tiravam as camadas de preconceito e mentira da sociedade, pessoas que lutavam por amor. Esta era uma guerra maior que a física existente em vários países, era uma guerra entre os que queriam apenas e nada mais que seus direitos como SERES HUMANOS, direito de amar e ser respeitado...valores que deveriam ser básicos, contra pessoas que não aceitavam as diferenças, muitas religiões eram deturpadas pelo preconceito e era isso que algumas disseminavam.
Então, com todos os motivos, físicos e químicos que envolviam o fim da Terra, motivos que se viessem a existir humanos novamente, os estudiosos poderiam explicar, Deus ( as forças da natureza, todos os sentimentos puros e impuros que compõem o homem) cantou para um fim do mundo, disse adeus à sua mais bela e espetacular criação, não a única. E tudo acabou em uma grande explosão, toda a superioridade que alguns pensavam que existia tinha ido embora, todos eram iguais agora, Como o inicio, o fim também foi estupendo, nada de dor ou gritos, tudo acabou de uma só vez...e sobrou apenas uma doce e suave melodia, na qual se escutava algumas palavras...
"Fare thee well oh honey, fare thee well".

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Apenas o abstrato

Imagem de black and white, angel, and wings

Estava na estrada, com frio, sem saber pra onde estava indo, apenas seguia. Usava no corpo uma roupa branca e carregava em suas costas asas negras, alvas e pesadas. Era um fardo difícil de se carregar sozinho. Pés descalços e machucados, como se já houvessem caminhado pelo mundo inteiro. O frio deixava sua boca num tom de vermelho ardente e ao redor nada parecia fazer sentido.
Tudo era tão concreto, as construções, a estrada. Mas em meio a tanta concretude, viu ali algo abstrato. Seguiu então esse sentimento, com os mesmos pés descalços e machucados, nunca antes experimentara a dor, não conhecia o peso de suas asas, mas pela primeira vez desde que ali chegará não se importou.
Ao ponto que aproximava-se do que perseguia, conseguiu entender com mais clareza, tratava-se de um humano, nunca antes, estivera com um. Notou que suas asas se tornavam um fardo ainda maior e mais pesado de se carregar, porém tomou-se de uma súbita curiosidade e um sentimento nunca dantes sentido. Queria caminhar por esse sentimento, suas asas estavam batendo, conseguia ouvi-las, não mais em suas costas, mas em seu peito. Nunca em sua curta existência no céu sentira isso.
Estava transformando-se constantemente, estava transformando-se todo em sentidos, todos desconhecidos, o frio, a dor, medo, o fardo e o amor.
No céu não haviam sentimentos...queria caminhar por isso, viver por isso, entendeu agora o real significado desta palavra, viver...
Arrancou suas asas e assim foi visto pela humanidade, transformou-se em carne, ossos e sentimentos antes inacessíveis e desconhecidos, amou.



Sinto muito

Me sinto tão confusa que quase não consigo escrever certamente não consigo por em palavras, mas continuo tentando. Eu te amo, e se te peço d...