quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Confissões de uma morta viva



Não são propriamente confissões, são mais achismos, teorias ou conclusões formadas por mim, ao longo do tempo, como não sei quanto tempo tenho  e nem você sabe quanto tempo tem, somos mortos vivos. Quando perceberes sobre o que se trata o texto, não pense que saciará suas dúvidas, ao final do mesmo, terá apenas mais perguntas. 
Tudo começou quando a vi pela primeira vez, foi como nos filmes, a estrada, o clarão e nada, nada mais. Depois acordei em uma cama de hospital, típico. O acidente me fez pensar na morte pela primeira vez. Tinha eu meus 11 anos, a morte me era distante, tanto quanto a chuva é no sertão, hoje me é próxima, tão próxima quanto a vida me foi um dia, naqueles meus 11 anos. A partir daí comecei a vê la onde ela nem estava, como dois olhos redondos e enormes na escuridão, me encarando.Pensar na morte tirava minha liberdade de vida. Afinal, o que é morte? me perguntava e ainda me pergunto. Acho que precisa se estar morto para poder responder essa pergunta, ai vem outra...nossa consciência continua viva após a morte do nosso corpo? E então vira um ciclo de perguntas que só serão respondias ou não quando a inevitável morte chegar.
Enquanto escrevo sinto ela se aproximando, a cada dia que passa sinto me mais próxima da vida e da morte, são extremos tão tênues, chegam a me assustar. A vida vem e vai num piscar de olhos, num bater de asas. 
É tão simples romper o elo da vida, o mais comum é estar vivo sem se estar vivendo...um autêntico morto vivo...o pior deles. A vida passa tão rápido, temos que abraça la para que não escape , não podemos perder tempo. Podem pensar que estou perdendo meu tempo escrevendo isso, mas são palavras que quando presas me sufocam, preciso solta las para serem lidas com ou sem vontade.
É um texto um tanto quanto mórbido, mas esse assunto também deve ser falado pelos poetas, se é que sou uma, não se preocupem continuarei a escrever sobre o amor, meu assunto favorito.
Vou agora morrer...ou viver, aguardem por mais ''confissões'' de uma morta viva.

domingo, 18 de agosto de 2013

Fugimos

Fugi, Não me orgulho em dizer isso. Não fui sozinha. Fugimos e não nos orgulhamos em dizer isso. Estávamos com medo de tudo, não tínhamos medo um do outro. Amávamos um ao outro. 
Alugamos um fusca e dirigimos até a praia. Ele não gostava de areia, mas dormimos ali mesmo, pescamos estrelas até o amanhecer e o sol nasceu para nos mostrar o quanto havíamos bebido na noite anterior. Em minha cabeça acontecia uma festa de axé com heavy metal, sem minha permissão.
Quando a água do mar subiu em nossos pés, nos levantamos. O fusca azul estava exatamente no lugar onde o deixamos, porém sem gasolina. Colocamos um pouco da bebida, que por milagre ainda tínhamos, o fusca roncou e funcionou com louvor.
Paramos para almoçar, mas com o pouco que tínhamos conseguimos comer, pão com ovo e café,que ele gostava, eu bebi um pouco, por pura necessidade.
Uma garota e um garoto, dezessete anos cada, um fusca azul alugado que bebia mais que um alcoólatra, nas mochilas algumas roupas, balas e muitos papéis de balas.
Deixamos o fusca descansando, estávamos agora no centro de uma cidade praiana, muito convidativa por sinal. Mas era mais agradável para quem tinha dinheiro. Vimos duas crianças dançando, um círculo cheio de pessoas se formou em volta delas, dançavam muito bem, mas o que ganharam não valorizava sua dança. Então prometemos ajuda los, teriam uma apresentação a duas quadras dali, dançamos com eles, ganharam mais dinheiro que antes. Nos ofereceram metade, não aceitamos nada, éramos burgueses fugitivos, eles eram filhos da rua, não tinham para onde fugir.
- Não sabia que você dançava tão bem.- disse meu cúmplice/amante/namorado.
- Eu não sabia que você dançava tão bem- disse eu.
Rimos um do outro e fomos atrás do fusca. Deuses ! Como caminhamos, a lua já estava no céu e as estrelas todas a sua volta, contemplando a.
Andávamos abraçados cantando tempo perdido, com sorrisos encantados e encantadores brilhando em nossos rostos. Encontramos o fusca. Pegamos nossas mochilas e fomos dormir na praia, mais precisamente na casinha dos salva vidas. Sob a luz do céu passamos uma noite linda juntos.
Acordei com minha mãe me chamando, abri os olhos, estava em meu quarto, fugi por uma noite, e estava com uma vontade insaciável de te chamar para fugir, de verdade, para além das estrelas e só voltar quando as histórias fossem suficientes para encher páginas e páginas de livros.
Abri  a janela e lá estava você, dentro de um fusca azul alugado, me chamando para dar uma volta.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Escrever para não gritar

A gente escreve pra ser lido, pra ler a gente mesmo, pra mostrar o que somos
escrevemos para ter palavras presas e bem colocadas em seu lugar,
mas o que queremos mesmo é gritar essas palavras, na esperança de que alguém as ouça.
Elas acabam assim, por serem escritas, porque poetas não gritam, e as palavras ficam em meio a vácuos
e silêncios, ninguém as nota lá, ninguém procura saber o motivo da escolha dessas palavras que formaram uma frase e depois um texto. 
Gritar é muito mais fácil, por isso nem todos são poetas, embora se encontre poesia até em berros dilacerados, eles contém muito sentimento, e dependendo da intensidade dos gritos, nem precisam de tantas palavras.
Poetas escrevem porque não sabem gritar, fazem o lápis gritar no papel, ou os dedos nas teclas, mas não gritam ao mundo o que querem. Escrevem o que querem, esperando de alguma forma serem compreendidos. Esperando que de alguma forma o universo lhes dê aquele punhado de palavras trazido pelas estrelas, aquele que vai salvar o poeta, a poesia, que todos lerão e entenderão, que mudará o mundo para sempre.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

E se o tempo perdido fosse encontrado?



Duas crianças correndo ao vento, juntas de mãos dadas, cantando sobre o tempo, o tempo perdido, o tempo que eles ainda não perderam e se perderam ainda não encontraram. Aquela música fazia com que eles se sentissem gigantes, fortes, com uma voracidade, uma fome de vida nunca vista antes. Não era só pelo ritmo, ou a letra, era o conjunto todo, só por falar em ''tempo perdido'' a ânsia por vida fumegava dentro deles...eles berravam a letra aos sete ventos não dando a mínima importância a quem estivesse ouvindo, tinham o belo dom de ignorar completamente o resto do mundo quando estavam juntos. Se sentiam tão incomuns perante a sociedade comum que tinham em sua volta, pareciam aliens, não pertenciam aquele planeta. Eram da lua, das estrelas, dos cometas, das galáxias, eram do universo e não sabiam. Eram as jóias mais incomuns e preciosas que o homem foi capaz de polir. 
Eles cuidavam do tempo, sem ter noção de sua contrariedade, tempo é uma fonte quase que inesgotável, se formos analisar de uma forma geral, o tempo ''universal'', temos sim muito tempo e não temos quase que nenhum, mas ao longo de nossa vida vamos perdendo ele um pouquinho, aproveitando quase que nada, elaborando e lendo mil e uma teorias sobre o tempo...a verdade é que não sabemos sobre ele. Eles quebravam os ponteiros de cada relógio, para que pudessem ficar mais tempo juntos, um dia e uma noite nunca eram suficientes para eles, nunca. Controlavam os minutos, segundos, como se fossem o Deus do tempo, ou o Deus Tempo. Não pareciam notar isso, só notavam um ao outro e a beleza que o mundo irradiava ao redor deles. Não compreendiam o tempo, as pessoas, a sua sociedade, não buscavam compreensão nesse mundo que é de ninguém e é de todo ''mundo''. Eles sentiam, eram também, sentimentos, qualquer oportunidade que tinham de agarrar o tempo (desculpe caro leitor, por colocar tanto ''tempo'' neste texto, ousei falar desse Deus, como poeta que sou, era minha obrigação tentar.) não desperdiçavam e agarravam. Corriam em direção a vida, a cada ponteiro de relógio que quebravam, corriam em direção ao tempo. Corriam.

Sinto muito

Me sinto tão confusa que quase não consigo escrever certamente não consigo por em palavras, mas continuo tentando. Eu te amo, e se te peço d...