domingo, 31 de março de 2019

I miss you, darling.

O momento mais triste que vivi, foi quando me dei conta de que não cumpriu sua promessa, me disse que morreríamos juntos. E não doeu, porque você mentiu, mas porque eu sabia que jamais teríamos o controle deste tipo de coisa, mas eu acreditei.
   Acreditei quando disse que não tinha certeza se ficaríamos juntos para sempre, pois só um tolo teria certeza. Mas nós ficamos o máximo possível. Eu vi seu cabelo ficando cada vez mais branco, você viu o que a gravidade fez com meu corpo. Prometemos colocar nossas dentaduras em copos um ao lado do outro.
   Acreditei quando disse que ficaria muito mais chato quando envelhecêssemos e que eu quase o deixaria por causa disso, mas eu fiquei, todas as vezes.
   Tendo a idade que tenho e se passado todos esses anos, consigo lembrar tão vividamente do nosso último beijo, tudo havia mudado. 
   Passamos por tantas mudanças no país, no mundo, amigos e família haviam nos deixado, nos envelhecemos, mas o amor estava intacto, como se tivéssemos posto dentro de um cofre a prova de tempo, dentro do gelo, mas de alguma forma sempre se manteve quente. Aquele beijo que jamais vou esquecer, assim como o primeiro. Você já estava tão velho e mesmo assim, vi aquele menino que beijei da primeira vez. 
   Nosso amor ficou tão claro naquele momento e mesmo tendo vivido tantos anos contigo, achei que nossa despedida seria fácil. Mas por causa do nosso amor atemporal, doeu tanto te perder,mais do que qualquer coisa na minha vida e mesmo a promessa de te encontrar e me apaixonar novamente em outra vida depois daqui, não me deixou viver sem ti.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Dedico a eu mesma.

Sentada no café da esquina, vejo ela.
Linda, uma delicadeza encantadora.
Um sorriso tão sincero e espontâneo,
deixando até as flores da mesa envergonhadas,
uma beleza naturalmente exuberante,
aquela que vem de dentro e transborda.
Nos olhos enxerguei sua alma,
forte, persistente e misteriosa.
Vejo uma alegria tímida, querendo se sobressair,
a insegurança parece nunca ter existido, posso perceber,
quando olho para mesa e enxergo o reflexo de seus olhos,
que meu espelho perfeitamente reproduz quando o encaro.

domingo, 24 de março de 2019

Deus

Bebeu de muitos infinitos...
Alimentou-se com todos os conhecimentos possíveis
e perdeu sua alma para a solidão.

Imagem de planet

Tomando chá com o crepúsculo

   Imagem de Meu Encanto ♡


  Aquelas tardes de inverno, com o sol entrando pelas janelas, deixando a pouca luz. O crepúsculo opaco, nunca havia lhe deixado nada de bom e naquele inverno não fora diferente. Foi naquele inverno que ele partiu, deixando para traz incertezas que há tempos ela não tinha, deixando mágoas e dores que pareciam insuperáveis, deixando indiferença como seu companheiro de quarto.
   Muitos a sua volta a consideravam dramática, porém nada conheciam de sua vida. Ele foi a única pessoa com quem ela já pode contar, nunca teve família ou amigos, talvez por isso ele tenha a abandonado, ela pôs todas as expectativas e o peso de muitas pessoas em cima de apenas uma. Foram tantos anos, sem procurar amizades, sem procurar apoio em si mesma. Já não sabia mais viver só, não gostava mais.
   Deuses! E aquele crepúsculo voltava para lhe assombrar. Começou a ir a grupo de apoios, procurava coisas na internet, mas mal sabia que superar algo assim leva tempo e vontade. Ela não sabia desapegar de verdade, não queria. Não percebia a importância. 
   Um dia fazendo a limpeza de sua casa, mexendo na estante achou um livro que só podia ser dele, começou a ler. Era "A hora da estrela" de Clarice Lispector, contava a história de Macabéa, ela não queria ser mais uma Macabéa num mundo cheio dela. Demorou até que superasse por completo seu apego, mas descobriu que ele era apenas o contrário da solidão, não foi amor de verdade. E o pedaço de conhecimento que encontrou em sua prateleira, aquele que ele deixara por despeito ou apenas esquecimento, acendeu nela  a vontade de ser alguém além daquela vida que levava.
   Descobriu nela mesma, paixões que nunca pensou que poderia sentir, um mundo novo se abriu, a coragem sorriu para ela. Viu que o problema não era o crepúsculo, mas a solidão que ele remetia, nunca mais ficou sozinha, depois de ter o amor como sua companhia e o crepúsculo, era sempre bem vindo a entrar e tomar uma xícara de chá.

domingo, 17 de março de 2019

Mais uma manchete de jornal

 Pratos quebrados, mesa virada, davam a sala de jantar uma decoração triste. Taças de vinho ainda cheias descansavam no balcão, esperando serem levadas até a mesa. O que tinha tudo para ser uma noite cheia de encantos, foi cenário para uma tragédia.
  Quando o amor se torna ódio? Poderia mesmo ser amor?
  Os sinais estavam a sua frente, mas coisas são como estas são difíceis de acreditar.
  Ele era perfeito, tudo que alguém sempre desejou, era inicio de relacionamento, então os dois estavam se esforçando bastante para impressionar um ao outro. O jantar especial, era apenas mais um dos que ele ou ela proporcionavam toda semana.
  Ela também o encantava muito, era desafiadora, corajosa e independente. Característica que muitos homens controladores temem, mas aos seus olhos, ele não era controlador.
  Ela tinha muitos amigos, e saía com eles. Nesta noite se atrasou por ter dado carona a um deles.
  Ele deu então seu primeiro sinal de ciumes, ela achou natural e inédito, não se importou muito.         Porém a situação mudou quando seu celular começou a notificar mensagens, interrompendo a noite.    Então ele se pronunciou rudemente, queria ver as mensagens, ela achou invasivo e negou, para ela já era falta de confiança. Começaram então a discutir, ele a ofendeu, ela estava quase indo embora, ele pediu para que voltasse, iriam conversar com calma. Ela cedeu, sentaram, ele serviu vinho, quando iria levar a mesa, o celular dela toca, ele pega, atende, escuta a voz de um homem. Pega a com força, ela diz que está machucando, ele aperta mais forte, ela pega um prato atrás dela e bate nele, isso só o irrita mais, faz outra tentativa. Ele a pega pelo pescoço, ela tenta puxar a mesa, acaba por virar. Ele aperta cada vez mais forte seu pescoço, sufocando qualquer grito e pedido de socorro que ela possa tentar. Por fim, cai em um último suspiro, com a mesa ao seu lado. Ele pega uma taça de vinho e a fita com desdem dizendo: "Olha o que me fez fazer!"
Mais tarde, policiais descobriram no celular da vitima, que a última ligação vinha de seu irmão.

Pais e filhos

   Quando nascemos todos acham que temos a necessidade de sermos preenchidos, então nos enchem com várias coisas que pensam ser essenciais. Embora sejamos como um saquinho, tem coisas que são inerentes a esses preenchimentos alheios. Como a dádiva da inocência. 
   Quando uma criança ainda possui essa dádiva, todo o cuidado é pouco, para que essa inocência não a machuque e ao mesmo tempo para que não a perca tão cedo. Muitos pais enchem o saquinho com muito amor, outros pensam que preencher o saquinho com seus próprios valores é o correto, muitos julgam necessário preencher com tudo que a criança pede oralmente. Mas como alimentar a alma recém nascida, afinal? A criança precisa também de coisas que ela não expressa oralmente, expressões comportamentais por exemplo, por isso deve se ficar atento a diferença do que a criança pede e o que ela necessita. 
   Muitos pais sentem culpa por deixar seus filhos muito tempo na escola, pensam que dando tudo o que elas pedem, estão sendo bons pais, assim seus filhos sempre vão os amar. Bom, isso é apenas egoísmo de um pai carente precisando ser amado, pois o trabalho ocupa seu tempo. Porém a criança precisa de muito mais do que as coisas aparentes que ela pede, precisa também de limites, de escuta.    Uma criança que cresce sem limite, cresce um adolescente difícil de lidar que pensa que pode ter tudo o que quer, um adolescente, que mais tarde se torna um filho irreconhecível, reflexo da indiferença dos pais. Porque, sim, não dar limite também é indiferença.
   Por vezes pais tem seus filhos, pensando que serão suas cópias e projetam neles todos seus desejos não realizados, isso também é uma forma de indiferença. Muitos pais pecam neste quesito, quando a criança cresce e não atende suas expectativas , pais acabam fingindo não ver muita coisa, não se dão ao trabalho de saber verdadeiramente o que está acontecendo na vida do filho, o elo já é frágil. Essa indiferença, principalmente na fase de transição de criança para adolescente, deixa lacunas em qualquer ser humano, que acabam sendo preenchidas, muitas vezes, com a mesma indiferença, acompanhada de raiva e insegurança. 
   Uma criança que se torna adolescente, não vai mais ser tão dependente e isso machuca o ego dos pais, porém, nesse período ele necessita de muita orientação e amor. Necessita saber que os pais estão ali, não importa o que aconteça. A diferença de necessidades muda nessa transição, mas não significa que seu filho não precisa mais ser olhado com atenção e cuidado, nesse período é importante estabelecer uma relação de confiança, se você confia em seu filho para deixar que assuma certas responsabilidades, ele confiará em você para contar o que for.
   Sendo um pouco drástica e dramática, mas também realista. A indiferença cria monstros, que não passam de criancinhas assustadas e extremamente machucadas que agora devem se responsabilizar pelos seus atos.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Momentos...

Momentos de inocência, jamais esquecidos.
Momentos de inocência questionados por olhares.
Momentos de inocência que perdi.

Sinto muito

Me sinto tão confusa que quase não consigo escrever certamente não consigo por em palavras, mas continuo tentando. Eu te amo, e se te peço d...